26 novembro 2011

-> Óleos essenciais e os Florais melhorando a Menopausa

Menopausa - Os óleos essenciais e os Florais de Bach aplicado no bem estar e qualidade de vida durante o Rito de Passagem da Mulher - a Menopausa.

Este é o período em que o diálogo entre o cérebro e o ovário começam a diminuir.
Período de cessação da menstruação. A mulher nasce com uma determinada quantidade de óvulos - o diálogo começa a enfraquecer porque o estoque de óvulo em uma determinada fase chega ao fim. Não existe uma idade predeterminada para a menopausa - geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos, no entanto, pode ocorrer a partir dos 40 anos, sem que isto seja um problema.

Não há relação entre a idade familiar da menopausa e a sua, cada um é um.
Uma mulher está em menopausa quando podemos confirmar, depois do prazo de um ano, que as suas regras realmente cessaram (em alguns casos pode durar até mais do que um ano).

No início da menopausa, a mulher poderá sentir sintomas muito fortes que interferem na sua maneira usual de agir e viver. O objetivo do tratamento da menopausa é melhorar a qualidade da vida da mulher.

Os sintomas podem ser classificados em 7 estágios:

PRIMEIRO ESTÁGIO - coceira pela corpo todo - perda natural da hidratação da pele, gerada pela alteração hormonal. Ressecamento vaginal.
Óleos Essenciais com efeito hidratante, calmante e equilibrador hormonal podem ser extremante úteis tais como: Gerânio, Chamomila Romana, Lavanda e Patchouli são os mais apropriados.
Florais de Bach - Impatiens, Walnut, Crab Apple e o Floral Emergencial à noite.

SEGUNDO ESTÁGIO - alteração de humor ou estado de ânimo (depressão ou extrema irritabilidade) - condição associada a queda hormonal (estrógeno). Este hormonio age não somente no nível físico, mas também no nível emocional.
Oleos essenciais com efeito equilibrador, relaxante; tônico e estimulante tais como Gerânio, Clary sage, Cypress, Rosa, Lavanda, Bergamota, Limão e Fenel podem conferir ajuste no estado de ânimo e bom humor.
Florais de Bach - Walnut, Scleranthus, Holly, Beech, Cherry plum, Gorse, Sweet chestnut e o Mustard

TERCEIRO ESTÁGIO - Suores e ondas de calores, principalmente a tarde e a noite durante o sono, são sintomas comuns na menopausa.
Óleos essenciais de efeito calmante, adstringente e equilibrador tais como: Gerânio, Cypress, Rosa, Petitgrain e Mandarin podem ajudar a diminuir a ansiedade e o excesso de sudoração.
Florais de Bach - Walnut, Mimulus, Rock rose, Agrimony e o Floral Emergencial à noite

QUARTO ESTÁGIO - Flatulência e má digestão, algumas mulheres sentem desconforto digestivo.
Óleos essenciais de efeito carminativo, digestivo, desintoxicante e relaxante tais como: Fenel, Limão, Tomilho e Camomila romana são bem indicados para tratar o processo digestivo indolente na menopausa.
Florais de Bach - Agrimony, Scleranthus, Crab apple e Holly.

QUINTO ESTÁGIO - Sonolência e estado de apatia.
Óleos essenciais de efeito estimulante, tônico e revigorante tais como: Alecrim, Tomilho, Limão, Laranja amarga e Ravensara podem ajudar no resgate da energia e vigor.
Florais de Bach - Olive, Hornbeam, Elm, Oak e Wild Rose

SEXTO ESTÁGIO – Esquecimento e falta de concentração.
Óleos essenciais de efeito revigorante, clareador e limpador da mental, tônico do sistema nervoso central tais como: Ravensara, Eucalipto smithii, Alecrim, Limão, Peppermint e Vetiver podem ajudar no fortalecimento das habilidades da mente e dos nervos em se manterem ativos.
Florais de Bach - Olive, Chestnut bud, Clematis e Honeysuckle

SÉTIMO ESTÁGIO - Perda de controle das ações, irritabilidade e descontrole total do comportamento. Ausencia da libido.
Óleos essenciais de efeito harmonizador, equilibrador, calmante, relaxante e sedativo tais como: Vetiver, Rosa, Ylang ylang, Manjerona, Camomila alemã, Sândalo, Cedro, Neroli e Frankincense podem ser altamente indicados para diminuir a abrasividade emocional e conferir calma e tranqüilidade para a travessia do ciclo de passagem.
Florais de Bach - Holly, Impatiens, Scleranthus, Chicory, Vine e Cherry plum.

A menopausa é o momento onde a luz da consciência acende-se com mais intensidade - é quando a maturidade emocional deve entrar em maior evidencia, para as mulheres.

Vera Lucia Bruna Guedes


04 outubro 2011

-> Observe a Respiração


Exercício I - Respirar e observar
A respiração é um indicador do estado emocional e mental. Quando as emoções estão agitadas, a mente estará agitada, e a respiração CERTAMENTE. Se a respiração acalmar, tudo o mais se acalmará.
Quando observamos nossa respiração, descobrimos que a nossa mente e o nosso corpo estão nurn contínuo estado de agitação e desconforto. Com o simples ato de observar a respiração, podemos sentir um relaxar da intensidade das causas, das imagens e refluxos dos nossos sofrimentos.
A prática desse contato consciente com a respiração, por si só, elimina as impurezas das emoções e da mente. Assim, cada vez mais, vamos sentindo um alívio e nossas pre-ocupações deixam de existir. O novo AR trás consigo novas visões, óticas, soluções.
A esse respeito, quando nos aprofundamos na investigação da verdade, verificamos que essa agitação e este desconforto estão presentes nos níveis mais sutis.
A observação da respiração é uma meditação universal, que se baseia na descoberta desta verdade: a de cada momento, tal como ele realmente é.
Ao respirar lenta e pausadamente procure observar, sem reação, seus sentimentos e pensamentos. Se você for dominado por alguma emoção muito forte ou sentir dores no corpo, tente apenas observá-las; permita a manifestação de acordo com as leis da natureza; assim como surgiram, desaparecerão; apenas observe com paciência e serenidade.
Ao compreendermos profundamente dentro de nós como o sofrimento é gerado, compreenderemos também como podemos eliminá-lo. Respirar é vida, é oxigênio entrando em nosso cérebro, em cada célula para nos dar energia, AR, inspirAção...
Observe a sua respiração, cada vez mais serena e tranquila, mais profunda e ritmada, sem criar reatividade, apenas observar, observar e observar...
Sinta-se confortável. Feche os olhos e tente observar sua respiração. Vá relaxando as partes do corpo que estiverem tensas, apenas observando a respiração e percebendo seu corpo, sensações e sentimentos.
Quando vierem os pensamentos, você provavelmente esquecerá da respiração. Não se preocupe, ela é instintiva e você não vai morrer, apenas desidentifique-se dos pensamentos e volte a observar a respiração, calma e serenamente. Pratique este exercício diariamente por 5, 10 ou até 15 minutos.
Este texto faz parte do livro Alimentação Desintoxicante - Conceição Trucom - Editora Alaúde Recomenda-se a sua leitura na íntegra, o que possibilitará a prática desta filosofia de vida com consciência e responsabilidade.
Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para a alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.
Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citada a autora e fonte: www.docelimao.com.br

20 agosto 2011

- Febre é uma das defesas do corpo

Está com febre? Que bom!

(Publicado no Periodicum Weleda nº 34 – Inverno de 2005)

A febre, definida como um aumento da temperatura do corpo acima de 37,2°C (medida na axila), é um evento que acompanha boa parte das doenças inflamatórias, especialmente as infecções e, de modo mais freqüente, na infância.


A febre na criança costuma trazer angústia aos pais, que sentem uma necessidade grande de baixá-la imediatamente, temendo possíveis conseqüências maléficas aos seus filhos. Isso está muito mais baseado em desinformação do que conhecimento científico. A febre sempre existiu, acompanhando diversas doenças, como mecanismo de defesa do organismo. Com o aumento da temperatura corpórea, nosso sistema imunológico tem a possibilidade de agir mais rápida e eficazmente. A produção e a ativação de diversas substâncias e células de defesa aumentam na febre, o que facilita a resolução da inflamação. Sabe-se, de longa data, que durante a febre o organismo humano consegue produzir mais anticorpos contra vírus e bactérias. O aumento de apenas 1º C na temperatura corpórea consegue diminuir duas vezes a multiplicação viral. No caso do resfriado, por exemplo, o vírus se reproduz muito bem a 35º C, já a 38º se reproduz pouco e aos 40º não se reproduz. Portanto, o melhor remédio para o resfriado é a febre! E o pior remédio é o resfriamento - que pode acontecer após o uso de diversos antitérmicos.


Durante nosso desenvolvimento, passamos por crises que precedem períodos de mudanças. Na infância, dos 0 aos 7 anos de idade, essas mudanças ocorrem com as doenças febris. O calor traz a possibilidade daquilo que nos é mais individual, chamado na Medicina Antroposófica de organização do Eu, de intervir na constituição orgânica. Isso se acentua na febre. O Eu precisa se expressar através do corpo físico, e a febre o ajuda a tornar esse corpo herdado dos pais mais adequado a suas próprias características individuais.


(Robertice: Entendi agora porque a minha filha, quando se recuperava de um problema de febre – que eu consegui controlar sempre apenas usando a Cura Prânica – ficava um pouco diferente de como era antes e parecia até mais inteligente. É que ela estava se livrando da herança orgânica que eu e sua mãe tínhamos lhe passado e criando seu próprio Eu Físico.)


Observamos, na pessoa febril, um rebaixamento de seu nível de consciência. Pensar e atuar fica mais difícil durante a febre (o corpo e a mente pedem repouso). É como se a consciência (a individualidade ou o eu) “descesse” da cabeça até os órgãos internos e membros, para tomar posse daquilo que foi herdado dos pais. Isso só se consegue através do calor corporal. Por isso, se no início da febre as extremidades estiverem frias (principalmente os pés) pode se fazer compressas mornas nas panturrilhas e pés (ou escalda-pés mornos também), ajudando o calor a chegar até lá. E depois da compressa, deve se colocar meias bem quentinhas e repousar. Porque a febre começa na cabeça e peito e vai descendo para os pés. E aí torna a subir para a cabeça e desaparece.


Assim responder com febre durante uma doença é sinal de boa vitalidade, de capacidade de reagir frente às ameaças externas. Após cada episódio de febre o sistema imunológico, expressão de nossa individualidade, se torna mais preparado para enfrentar as agressões externas, e a criança, como um ser único, ganha uma batalha e conquista seu novo espaço.Trata-se de um amadurecimento orgânico, vital para o amadurecimento anímico que se segue.


(Robertice II: Tomara que as mães comecem a seguir essas orientações para seus filhos, ao invés de dar-lhes dipirona que, segundo o Dr. Nilo Gardin, faz a temperatura baixar rapidamente para 35,5º C, o que é bastante prejudicial às crianças. “Porque um probleminha que se resolveria em dois ou três dias acaba, muitas vezes, se transformando em uma alergia, que pode durar anos e até a vida inteira.”)




Quando e como intervir
O bom senso sempre deve nos guiar. Em algumas situações é adequado baixar a temperatura com antitérmicos. Mas são situações de exceção, como quando a febre ultrapassa os 41º C; durante a gravidez (a febre poderia trazer problemas de formação ao feto); em pessoas com doenças cardíacas (ao aumentar a freqüência cardíaca, a febre pode sobrecarregar o coração de quem já teve um infarto ou tem angina); em doenças crônicas muito debilitantes(tuberculose, hipertireoidismo etc); em doenças psiquiátricas (onde a febre pode desencadear determinados surtos); e em pessoas com epilepsia – quando a febre pode facilitar a ocorrência de novas crises.

Existem recursos naturais e medicamentos antroposóficos e homeopáticos que ajudam o doente febril a modular a temperatura, ou seja, evitam que ela exceda determinados limites, ao mesmo tempo em que trazem bem-estar e auxiliam a fase de recuperação. Antitérmicos sintéticos e antibióticos precisam ser usados com muito critério e, os últimos, somente sob prescrição médica.

- Crianças têm febre mais alta e de instalação mais rápida do que os adultos.
- Durante a febre convém respeitar a falta de apetite da criança, não a forçando a comer. Se houver perda de peso, ela recuperará rapidamente após a doença. Porém é muito importante que ela beba líquidos (água, chá e sucos), para repor as perdas ocasionadas pela transpiração que acompanha a febre.
- Não dê banho frio na criança com febre, tampouco use compressas com álcool. Isso causa perda muito rápida de temperatura. O banho deve ser na temperatura do corpo (em torno de 37º C).
- Brinquedos e atividades que estimulam demasiadamente o pensamento, como vídeo game, computador, lição de matemática etc., devem ser evitados durante a febre. Há necessidade de repouso físico e mental.
- Consulte o médico para saber a verdadeira causa da febre. Se o tratamento é feito com um médico antroposófico ou homeopata, ele necessitará de informações que individualizem o caso, como por exemplo, se o aumento da temperatura foi súbito ou lento, se houve presença e características de sede, suor, sintomas mentais (estado de ânimo, ansiedade, desejo de companhia etc), entre outros.
- Após os episódios de febre o calor tem que ser mantido, especialmente nas extremidades (pés), agasalhando bem a criança e evitando perdas excessivas de calor.

Seguindo esse caminho, o organismo da criança terá aprendido algo durante a doença febril, por esforço próprio. Note a expressão na face de seu filho ou de sua filha após recuperar-se de uma doença febril, onde a febre não foi suprimida, mas sim auxiliada de modo consciente e natural. A criança está sutilmente diferente: um pouco menos parecida com os pais, um pouco mais parecida com ela mesma. Você deu liberdade para ela amadurecer.

O mito da convulsão
Ao contrário do que se teme, convulsões são episódios muito raros (3% das crianças), não deixam seqüelas e dificilmente se repetem. As convulsões febris só ocorrem na faixa etária entre 3 meses e 6 anos de idade. Por ser um fenômeno isolado, uma convulsão não pode ser definida como epilepsia.

Ela não depende do grau de febre, isto é, não é mais comum de ocorrer aos 40º do que aos 38º C. Além de raramente acontecer, a convulsão febril cessa espontaneamente e geralmente não causa nenhum dano à criança. A grande maioria das crianças com história de convulsão febril nunca mais irá apresentar novo episódio durante todo o resto de sua vida. Na próxima infecção, seu organismo terá “aprendido” a superar até uma febre mais alta sem convulsões.

É importante saber que a febre não é uma doença em si, mas uma maneira de se defender, e que o grau de febre não está relacionado à gravidade da doença. O estado geral da pessoa é mais importante.

Serviço: Dr. Nilo Gardin, CRM 78.538, é Especialista em Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Especialista em Hematologia pela Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. E Terapêutica orientada pela medicina antroposófica e homeopatia. Para saber mais sobre seu trabalho, envie e-mail para nilogardin@superig.com.br

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11 agosto 2011

-> Artrite, Alimentos Pró-inflamatórios, Hidratação

Artrite e hábitos de vida

Não existe qualquer dúvida quanto ao fato da dieta alimentar ter influência importante no desenvolvimento e na evolução de sintomas da artrite. A dieta ocidental padrão consiste em abusos de alimentos refinados que são, positivamente, PRÓ-INFLAMATÓRIOS (favorecem inflamação).

Inflamação causa vermelhidão, aquecimento, edema (inchação) e consequente destruição progressiva da junta associada à artrite. Ingerindo-se alimentos pró-inflamatórios não apenas se cria um ambiente favorável ao aparecimento de artrite, mas também se promove seu desenvolvimento evolutivo.


O que são esses alimentos pró-inflamatórios? Açúcar, sal, alimentos refinados, carnes vermelhas, embutidos, enlatados, etc. Infelizmente, esses são os ingredientes comuns na maioria dos alimentos industrializados e, principalmente, nas redes de “fast-food”.


O primeiro passo para se combater o problema deve ser o de aprimorar a dieta alimentar, eliminando ou reduzindo os alimentos citados. A base nutricional deve ser do tipo integral que exclua açúcar, sal e alimentos processados e inclua mais peixes, vegetais, frutas e alimentos orgânicos; ao máximo possível. Deve-se também beber quantidade adequada de água (não devemos nos esquecer que metade do nosso corpo compõe-se de água), evitando-se estados de desidratação. É muito difícil se desenvolver artrite em organismos bem hidratados. Muitos pacientes melhoram (e muito!) suas condições clínicas a partir do momento que se reidratam convenientemente.


Fazendo alterações em nossos hábitos de consumo nutricional, podemos melhorar os sintomas da artrite, inclusive, reduzindo o uso de drogas antiinflamatórias.


Vamos deixar de achar que as medicações resolvem tudo. Elas ajudam sim! Mas no alívio dos sintomas. É criando hábitos saudáveis que vamos melhorar as pessoas com artrite. Se você tem algum familiar, parente ou conhecido que sofre deste "mal", passe estes conselhos para frete. A saúde dele ou dela AGRADECE.


Autor:
Dr. Telmo Diniz - Médico graduado pela Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO). Pós-graduação lato-senso em Medicina Ortomolecular pela Universidade Veiga de Almeida do Rio de Janeiro. Membro da Associação Médica Brasileira de Oxidologia (AMBO) - Atende como clínico geral com prática ortomolecular e anti-aging na Longevità - clínica e Spa Ortomolecular
Site: http://www.clinicalongevita.com.br/

Fonte:
http://ligadasaude.blogspot.com/2011/05/artrites-e-habitos-de-vida_14.html

17 julho 2011

-> Autismo e Nutrição

A Nutrição da Criança Autista - Parte 1

O autismo é um distúrbio neurológico com deterioração progressiva na interação social e na linguagem das pessoas afetadas, apresentando padrões repetitivos de comportamento. Ainda sem causa conhecida, esta desordem apresenta anormalidades no sistema límbico e cerebelar, estruturas importantes no controle motor e emocional do ser humano. Além desta anormalidade, observa-se também, alteração metabólica direcionada para a importância de alguns nutrientes da alimentação do paciente autista. Isto se deve, principalmente, à detecção de elevados níveis de algumas substâncias no sangue dos pacientes, que são: gluteomorfina e caseomorfina, peptídeos derivados da proteína do glúten e da caseína respectivamente. Estes peptídeos apresentam similaridade às substâncias opióides e às suas ações no sistema nervoso central.

Também promovem outros efeitos, tais como: redução do número de células nervosas do sistema nervoso central e inibição de alguns neurotransmissores. De acordo com os dados observados, as substâncias opióides são derivadas de algumas proteínas da alimentação comum, tais como: o glúten e a caseína



Assim a terapia nutricional específica voltada para o paciente autista torna-se um dos primeiros pontos a ser discutido como tratamento. Portanto, com a eliminação padronizada e controlada dos alimentos que promovem a formação das substâncias similares aos opiódes da dieta dos autistas, percebe-se melhora significativa na sociabilidade e comunicação destes pacientes, bem como, uma redução dos efeitos de abstinência destes compostos. Diante de todas as implicações do distúrbio neurológico e metabólico do autista, este tratamento deve ser aplicado de forma interativa e multidisciplinar, sendo a nutrição um importante contribuinte no somatório para melhoria nas características e nos sintomas da desordem autista.

Segundo informações do “Centro de Tratamento Pfeiffer (PTC)”: AUTISM: RESERCH UPDATE (1995), os autistas apresentam, entre outras alterações, um defeito na função da proteína metalotionina que tem como função básica, a detoxificação de metais pesados, anormalidade esta que aparenta ser genética, tornando, o cérebro do autista extremamente sensitivo para metais tóxicos e outras substâncias ambientais. Esta proteína está, também, envolvida diretamente no desenvolvimento e maturação cerebral e do trato gastrintestinal nos primeiros anos de vida do ser humano.

Por outro lado, a função diminuída da proteína metalotionina dificulta também, a entrada de alguns minerais nas células. Entre eles estão o cobre e o zinco que são responsáveis pela maturação intestinal, função imune e crescimento celular.

De fato, algumas das principais evidências observadas no autismo são as anormalidades neurológicas e metabólicas. Diante disso, várias investigações têm sido direcionadas para a função de alguns nutrientes na alimentação do autista, objetivando uma melhora nos sintomas da desordem neurológica, e, tornando o tratamento nutricional um dos primeiros pontos que devem ser observados nas crianças autistas.

PANKSEPP (1979) em um experimento, observou similaridades dos sintomas dos indivíduos com autismo em relação a animais que consumiam experimentalmente opióides, no caso estudado: a morfina.

Em 1988, GILLBERG, detectou elevados níveis de algumas substâncias conhecidas na época por pseudo-endorfinas (substância com atividade opióide) no líquido céfalo-raquidiano de alguns autistas.

E em 1990, SHATTOCK identificou a presença de alguns peptídeos (pequenas cadeias de aminoácidos) anormais na urina de 80% das 1.100 pessoas autistas analisadas. Esses peptídeos são derivados do metabolismo incompleto de certas proteínas. O mesmo autor descreveu que uma parte desses compostos pode ser direcionada ao cérebro, provocando interferências na atividade dos neurotransmissores, devido sua ação neuro-regulatória e possível estimulação pré-sináptica. Os peptídeos anormais detectados foram nomeados de gluteomorfina ou gliadomorfina proveniente do metabolismo do glúten e a caseomorfina proveniente do metabolismo da proteína caseína.

As substâncias inicialmente já identificadas por PANKSEPP (1979) e depois por REICHELT (1981) foram confirmadas por SHATTOCK & LOWDON (1991) que sustentaram a seguinte hipótese: o autismo pode ser uma conseqüência da ação dos peptídeos de origem exógena, a qual afeta diretamente a neurotransmissão do sistema nervoso central dos indivíduos já afetados pelo distúrbio.

KNIVSBERG et al.,(1995) ao analisarem a urina de autistas, também, observaram níveis anormais dos mesmos peptídeos, provenientes de defeitos no metabolismo do glúten e caseína nestes pacientes (15).

Evidências têm mostrado que estes peptídeos, provenientes da quebra de alguns compostos protéicos, apresentam ação similar aos opióides, e, quando intactos podem atravessar a parede do intestino, atingir a corrente sangüínea e chegar ao cérebro em maior quantidade nos indivíduos autistas.

Nos últimos 30 anos, alguns autores têm relatado entre outros problemas uma série de disfunções gastrintestinais nos autistas. HORVATH & PERMAN (2002) descreveram alterações patológicas na permeabilidade intestinal, aumento da resposta secretória à injeção intravenosa de secretina e diminuição da atividade enzimática digestiva, o que demonstra uma conexão relativa entre as ações do cérebro e do intestino.

Entretanto, também existem relatos de doença celíaca e intolerância à lactose associada à síndrome do autista, embora um grupo considerável de indivíduos que apresentam essas desordens neurológicas em concomitância com outras, sejam passíveis de problemas na digestão das proteínas do glúten e da caseína, o que acrescentaria maiores problemas aos indivíduos afetados e maiores complicações na patogênese do autismo.

Diversos outros efeitos são observados quando os peptídeos opióides se elevam na corrente sangüínea, entre eles estão, a alteração do nível de acidez estomacal, alteração da motilidade intestinal e redução do número de células nervosas do sistema nervoso central e conseqüente alteração na neurotransmissão.

O excesso de atividade dos peptídeos opióides no sistema nervoso central também pode resultar em um grande número de interferências neurais por elevadas alterações funcionais de atividade nervosa, o que afeta diretamente a percepção, a emoção, o humor e o comportamento do autista, entre outros sintomas.

Diante das variações neurológicas de cognição e comportamento, as alterações metabólicas e os efeitos nutricionais dos peptídeos opióides nos autistas são significativos, segundo o grupo de REICHELT et al.,(1990) ao publicarem dados em relação a nutrição, demonstraram a efetividade dos programas de nutrição, apesar de alguns trabalhos ainda não serem considerados conclusivos e não estarem tão claros em relação a atividade nutricional para o autista.

No entanto, outros autores também têm considerado que o tratamento nutricional do autista é fundamental, através de embasamentos experimentais ou individuais, obtendo relatos de respostas efetivas. Os estudos de RIMLAND & BAKET (1996) mostraram dados positivos de melhora no tratamento nutricional quando unicamente utilizando a terapia baseada em medicamentos.

Diante das ações terapêuticas nutricionais existentes, o tratamento do autista é complexo e deve ser feito com base em uma série de abordagens clínico-nutricionais, com o objetivo também de detectar possíveis deficiências nutricionais decorrentes ou não da doença. Associado a isso deve ser feito, também, o levantamento semiológico completo da vida do paciente. Enfoques e evidências médicas que possam ser somadas as alterações neurológicas e/ou clínicas (tais como: uso de medicamentos que possam interferir no metabolismo de algum componente da dieta, distúrbios físicos e/ou psíquicos, entre outros), tornam-se importantes no tratamento geral do autista.



A Nutrição da Criança Autista - Parte 2 

De posse de todas informações semiológicas necessárias ao entendimento do distúrbio, é indicado utilizar as seguintes estratégias nutricionais propostas:
Orientações e informações sobre a desordem do autismo e suas implicações na nutrição, inicialmente devem ser direcionadas para os pais e profissionais não-médicos da instituição que, por ventura atenda estes pacientes;
Observar a viabilização do tratamento nutricional na residência dos autistas, sempre respeitando as condições sócio-econômicas de cada família;
O tratamento Nutricional, somente deve ser iniciado, após o conhecimento da complexidade da doença, que, se faz com a retirada controlada dos principais nutrientes que resultam na formação dos opióides, que é um dos principais causadores dos problemas neurológicos de cognição e comportamento do autista.
Assim, sugere-se o seguinte protocolo adaptado e ordenado:

A. Retirada da caseína e de todos os produtos derivados dessa proteína dos alimentos destinados aos autistas, com observação constante do Nutricionista por um período de 3 semanas (tempo experimental de possíveis reações adversas do procedimento);

B. Após o período experimental em relação à restrição da caseína e derivados, inicia-se a retirada do glúten e derivados da alimentação do autista, seguindo o mesmo critério de observação utilizado para caseína, mas agora por um período experimental de 5 meses;

As observações constantes do nutricionista se fazem necessárias com o objetivo de prevenir possíveis quadros de deficiências de vitaminas e minerais que possam ser iniciadas com a retirada dos componentes alimentares conforme descritos e, principalmente, a possibilidade do aparecimento da síndrome de abstinência, ocasionada pelo bloqueio e interferência da ação opióide dos peptídeos no sistema nervoso central, a qual pode não apresentar grande conseqüência nutricional para o paciente. Mas se houver, alguma conseqüência, estas surgirão como alterações psicológicas e psicomotoras significativas, e nesse caso, deverão ser discutidos juntamente com a equipe de tratamento do paciente.

A ação opióide dos peptídeos no sistema nervoso central deve ser um dos fatores mais importantes discutidos no tratamento da criança com autismo, bem como, os efeitos da síndrome de abstinência nestes indivíduos, relacionada à restrição de glúten e caseína, requerem uma atenção intensiva, não só do Nutricionista, mas também, dos outros profissionais que estão vinculados ao tratamento do autista.

Diante de todas as implicações do distúrbio autista associado à Nutrição, o tratamento deve ser sempre aplicado de forma interativa e multidisciplinar, bem como integração dos membros da família do paciente, objetivando, não a cura da doença, mas uma melhora efetiva nas características e sintomas da desordem.
César Augusto Bueno dos Santos
Nutricionista
Prof. Patologia Geral
Coordenador Curso Nutrição – UNIFENAS/BH
 
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Depoimentos: 


Olá! Meu nome é Fátima, e tenho um filho autista de 20 anos. Ele era um menino muito agitado e ansioso, mas depois que fizemos mudanças em sua alimentação, seu comportamento melhorou muito! Ele ficou bem mais calmo, e as mudanças são instantâneas, é incrível! Descobrimos que o glúten e a caseína, após serem retirados da alimentação, provocaram mudanças profundas. Eu não imaginava que as mudanças aconteceriam de forma tão rápida e eficiente, mas acreditem, é verdade!
9 de janeiro de 2010  11:16
Fonte: omundodepeu.blogspot.com/2008/08/nutrio-da-criana-autista-parte-2.html

Sou Celia mãe do João bosco de 19 anos, iniciei a dieta sem caseina, gluten e açucar, há três dias. Aqui em casa estamos em estado de graça pela tranquilidade que está o meu filho João Bosco, além do mais diminuir em 50% os quatro medicamentos que ele toma todos os dias. O meu email é celiaoliveira29@hotmail.com   Data: 27/6/2007 
Fonte: www.autismo-br.com.br/home/dep-com.cgi?tema=Dieta+isenta+de+glutén+e+caseína&codigo=23 

Iniciei a dieta com meu filho (David-4 anos) a aproximadamente 6 meses e já pude perceber algumas mudanças significativas, ele é não verbal, mas após a dieta passou a tentar falar e me olha nos olhos, sorri de volta quando eu sorrio para ele e ficou bem mais calmo, pois ele é hiperativo.
Vera Lucia   veracura@globo.com.br
    Data: 23/5/2004
Fonte: www.autismo-br.com.br/home/dep-com.cgi?tema=Dieta+isenta+de+glutén+e+caseína&codigo=23  


Meu filho faz a dieta sem gluten e sem caseina há dois anos e meio.
É difícil só no começo. Depois a gente se acostuma e adapta os hábitos.
A dieta consiste em retirar o leite e derivados, e o gluten (presente no trigo, aveia, cevada e centeio). Parece o fim do mundo, mas existem substitutos para tudo.
Os produtos para celiacos são sem gluten (macarrão de arroz, pão, pizza, etc).
Tudo feito a base de tapioca, milho e arroz é permitido. (beiju, cuzcuz, bolo de macacheira, etc) Para os laticínios existem bons substitutos da soja (leite ades, soymilke, supra soy, etc). 
Data: 19/6/2006 
Fonte: www.autismo-br.com.br/home/dep-com.cgi?tema=Dieta+isenta+de+glutén+e+caseína&codigo=23  


Pessoal, sou mãe de Samuel, 6 anos, no espectro. Desde os 3 anos de idade resolvi por minha conta e até contra a recomendação da médica (alergologista que fez o teste de alergia, o qual deu positivo para leite e trigo) fazer a dieta. Nessa época, começávamos as investigações sobre o possível transtorno de desenvolvimento em Samuel. Ao ler sobre o autismo e sobre a dieta, resolvi apostar.
Hoje, Samuel, aos 6 anos, lê e escreve (desde os 3 -leitura - e 4 - escrita), e tem um vocabulário imenso, que só precisa ser trabalhado para que sirva de comunicação efetiva - suas conversações têm ciclos curtos. É calmo - às vezes tem birras - e amoroso. Acompanha o ensino regular, embora precise de acompanhamento terapêutico. Enfim, creio estar ótimo para o que poderia ser e isso é consenso entre os profissionais que o acompanham.
Credito isso, dentre outros fatores, à dieta, e por isso incentivo todos a fazerem. Não é assim tão difícil: leite de soja existe às pencas no mercado, pães e massas são facilmente substituíveis por outras fontes de amido. Samuel adora inhame, macaxeira, batata doce e frutas. As verduras são incluídas no arroz (integral, de preferência) e na sopa (sagrada) e ele também já pede salada (tomate, pepino).
Acreditem e façam.  Abçs.  Izabel    9/6/2010   
Fonte: www.autismo-br.com.br/home/dep-com.cgi?tema=Dieta+isenta+de+glutén+e+caseína&codigo=23  
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Vídeos: 
 
- Nutricionista Priscila Spiandorello fala sobre autismo e Nutrição:  www.canaldoautismo.com.br/autismo-infantil/nutricionista-priscila-spiandorello-fala-sobre-autismo-  e-nutricao-video_0916f50c4.html 

 
- O Que é tratamento Biomédico? O Dr. Rogério responde: www.canaldoautismo.com.br/autismo-infantil/o-que-e-tratamento-biomedico-o-dr-rogerio-responde-video_8996aa1ac.html 
 
- Dra. Georgia Fonseca fala sobre autismo e homeopatia: www.canaldoautismo.com.br/autismo-infantil/dra-georgia-fonseca-fala-sobre-autismo-e-homeopatia-video_03018f502.html  
 
- Dra. Simone Pires fala sobre o tratamento biomédico no Brasil: www.canaldoautismo.com.br/autismo-infantil/dra-simone-pires-fala-sobre-o-tratamento-biomedico-no-brasil-video_c7387a054.html  
 
- Dra. Georgia Fonseca fala sobre dieta sem glúten e sem caseina: www.canaldoautismo.com.br/dra-georgia-fonseca/dra-georgia-fonseca-dieta-sem-gluten-e-sem-caseina-video_865d48459.html 
 
Dra. Georgia Regina Fonseca
Av. das Américas, 1155 - Barra -Rio de Janeiro-RJ  Tel.: (21) 2491-3785  
Ou  Av. Santa Cruz, 2016 - Realengo - Rio de Janeiro-RJ Tel.: (21) 3332-4165

16 julho 2011

-> Cuidado com a falta de hidratação

A importância da água para os idosos! 

 


Copiado na íntegra do site da Abinam

"Água e envelhecimento

por Arnaldo Lichtenstein

Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta: “Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?”
Alguns arriscam: “Tumor na cabeça:”. Eu digo: “Não”. Outros apostam: “Mal de Alzheimer”. Respondo, novamente: “Não”.

A cada negativa a turma espanta-se. E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns: diabetes descontrolado; infecção urinária; a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é. Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (“batedeira”), angina (dor no peito), coma e até morte. Insisto: não é brincadeira.
Ao nascermos, 90% do nosso corpo é constituído de água. Na adolescência, isso cai para 70%. Na fase adulta, para 60%. Na terceira idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento. Portanto, de saída, os idosos têm menor reserva hídrica. Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

Explico: nós temos sensores de água em várias partes do organismo. São eles que verificam a adequação do nível. Quando ele cai, aciona-se automaticamente um “alarme”. Pouca água significa menor quantidade de sangue, de oxigênio e de sais minerais em nossas artérias e veias. Por isso, o corpo “pede” água. A informação é passada ao cérebro, a gente sente sede e sai em busca de líquidos.

Nos idosos, porém, esses mecanismos são menos eficientes. A detecção de falta de água corporal e a percepção da sede ficam prejudicadas. Alguns, ainda, devido a certas doenças, como a dolorosa artrose, evitam movimentar-se até para ir tomar água.

Conclusão: idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Além disso, para a desidratação ser grave, eles não precisam de grandes perdas,como diarréias, vômitos ou exposição intensa ao sol. Basta o dia estar quente - e o verão já está aí - ou a umidade do ar baixar muito - como tem sido comum nos últimos meses. Nessas situações, perde-se mais água pela respiração e pelo suor. Se não houver reposição adequada, é desidratação na certa. Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas:
O primeiro é para vovós e vovôs: tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Bebam toda vez que houver uma oportunidade. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite. Sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam. O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!

Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos idosos. Lembrem-lhes de que isso é vital. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção. É quase certo que esses sintomas sejam decorrentes de desidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico.

Arnaldo Lichtenstein é médico, clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)."

10 julho 2011

-> Alerta sobre a carência de B12

Tudo, ou quase tudo, sobre a vitamina B12 (Cobalamina)
Eric Slywitch - Nutrólogo
Vitamina B 12, ou Cobalamina, é um dos nutrientes mais comentados quando pensamos na alimentação vegetariana.
Há razões claras para a B12 estar em foco, mas também há exageros ao pensar que essa preocupação é apenas para vegetarianos.
Entremos em acordo: vitamina B12 e cobalamina são sinônimos!!
Nesse artigo vamos conhecer essa vitamina hidrossolúvel (solúvel em água) de cor rosa.
Recomendo que, após essa leitura, leia o texto “Vitamina B12: 30 informações importantes”, onde apresento os principais pontos de dúvidas que as pessoas têm.

Histórico
Em 1824 já existiam relatos de uma doença (anemia perniciosa), geralmente fatal em 1 a 3 anos após o seu diagnóstico.

A solução terapêutica surgiu apenas em 1926 quando George Minot e Willian Murphy demonstraram que a ingestão diária de uma dieta contendo bife de fígado levemente cozido levava a uma remissão da anemia após alguns meses.

A vitamina B12, ou Cobalamina, foi isolada pela primeira vez em 1948 simultaneamente nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Em 1963 foram descobertas suas primeiras funções metabólicas.

Em 1979 as suas funções metabólicas foram elucidadas e a sua síntese concluída.

Desde o seu desenvolvimento histórico 2 prêmios Nobel foram recebidos devido a ela.

Para que serve a B12 ?
Resumidamente: para a formação do sangue, manutenção do sistema nervoso e funcionamento normal da vitamina B9 (ácido fólico).

Quanto precisamos ingerir dessa vitamina ?
Precisamos absorver (transportar do intestino para o sangue) 1 mcg de B12 por dia.
Como a absorção dessa vitamina é cerca de 50% da quantidade ingerida, a recomendação de ingestão é dobrada e acrescida de uma margem de segurança.
As doses recomendadas podem apresentar pequenas variações de um estudo para outro, mas as que utilizamos como referência são:
IDADE mcg/dia
0 a 6 meses 0,4
6 a 12 meses 0,5
1 a 3 anos 0,9
4 a 8 anos 1,2
09 a 13 anos 1,8
Acima de 14 anos 2,4
GESTAÇÃO 2,6
LACTAÇÂO 2,8

A B12 E OS ALIMENTOS

Como essa vitamina é formada ?
A cobalamina é fabricada (sintetizada) por bactérias.

Portanto, são as bactérias quem produzem a vitamina B12.

Se são as bactérias que produzem a B12, por que ela pode ser encontrada nas carnes e no fígado ?
A presença de vitamina B12 nas carnes se deve ao fato de que os animais ingerem ou absorvem (quando produzidas pelas bactérias do seu trato gastrointestinal) a vitamina (produzida pelas bactérias).

A presença de vitamina B12 no leite e nos ovos se deve à passagem dela do animal para as suas secreções.

Aliás, 50 a 90 % da vitamina ingerida pelos animais é estocada no fígado. Por isso o fígado é citado como o principal “alimento” para obtenção de B12 e de alguns outros nutrientes.

A cobalamina não pode ser encontrada em alimentos de origem vegetal ?
Vamos deixar isso bem claro: quem produz essa vitamina são as bactérias !!

Da mesma forma que frango e peixe não são vegetais, bactérias também não são vegetais.

Plantas não produzem vitamina B12 !!!
Além disso, a B12 não é necessária para o metabolismo das plantas e, por isso, ela não é absorvida pelo vegetal.

Portanto, se existir B12 em qualquer alimento de origem vegetal isso ocorreu por contaminação bacteriana.

Pode também ocorrer vitamina B12 por contaminação das carnes, mas o alto teor de cobalamina existente nelas se deve à sua presença na própria carne (ingestão e absorção do animal) e não por contaminação.

Curiosidade
Morcegos de fruta obtêm B12 pelo consumo inadvertido de insetos nas frutas.
Morcegos mantidos em cativeiro recebendo uma dieta com frutas limpas (lavadas) morrem de neuropatia (doença dos nervos) decorrente de falta de B12 em 9 meses.

Nós temos bactérias no intestino grosso. Elas são capazes de produzir B12 para nós ?
Capazes de produzir sim. O problema é absorvê-la.

Os principais microorganismos intestinais que produzem a B12 se chamam actinomices.

Veremos mais adiante que o local que essas bactérias habitam (intestino grosso) é posterior ao local de absorção (60 cm finais do intestino delgado).

Não somos ruminantes. Não temos várias câmaras gástricas e nem a mesma abundância de flora desses animais. Não somos capazes de adquirir a B12 da mesma forma que as vacas.

Os estudos publicados até o momento, onde a flora intestinal humana foi otimizada na tentativa de melhorar a B12 do organismo, falharam em demonstrar que isso é possível.
A Índia é um país pobre onde as condições de higiene são precárias e grande parte da população come com a mão. Tudo a favor das bactérias e da proliferação de B12.

Um estudo na Índia com 15.000 pessoas, quase todas vegetarianas demonstrou que 54 % tinham baixas concentrações sanguíneas de B12.

Portanto: não confie nas bactérias como fonte de cobalamina na dieta vegetariana!

Vegetarianos ingerem menos B12 ?
Depende da quantidade de produtos animais ingeridos e de quem estamos comparando.

Alguns estudos demonstraram que onívoros:
Homens comendo 2400 kcal e 70 g de proteína – ingeriam 5,2 mcg de B12 por dia
Mulheres comendo 1400 kcal e 53 g de proteína – ingeriram 5,6 mcg de B12 por dia
A ingestão de fígado contribuía para essas diferenças.

Ingestão com a dieta vegetariana: 0,25 a 0,5 mcg/dia – proveniente principalmente de derivados de leite ou ovos ingeridos, assim como de alimentos fortificados.
Tudo é uma questão de comparação! Se um onívoro come poucos derivados animais, e um vegetariano come mais derivados animais, o vegetariano pode ingerir mais B12 que o onívoro.

Não dê mole para a B12!
O que leva as pessoas a se preocuparem com a B12 na dieta vegetariana é o fato dela poder estar ausente nos alimentos escolhidos (no caso dos veganos) ou em baixa quantidade (no caso dos ovolactovegetarianos).
No entanto, não podemos considerar apenas o que comemos, mas sim o que nosso organismo é capaz de fazer com o que comemos. A B12 é muito mais influenciada pelo nosso metabolismo do que pela quantidade que ingerimos.
Veja as como a deficiência está distribuída:
Vegetarianos: 50% dos indivíduos têm deficiência
Onívoros: 40% dos indivíduos têm deficiência.
Vamos conversar mais sobre essa questão mais à frente.

Inúmeros estudos demonstram que vegetarianos têm níveis sanguíneos mais baixos de B12 do que onívoros. No entanto, esses dados mostram que os onívoros também não apresentam níveis adequados da vitamina.

Se eu cozinhar o alimento perderei a B12 contida nele ?
A vitamina B12 é termoestável, ou seja, resiste à elevação de temperatura.

Pesquisas demonstram que ela se mantém estável a 100oC por longos períodos. Portanto ela resiste ao cozimento !

No entanto, a cobalamina é destruída na presença de pH > 9, oxigênio, íons metálicos (Cu, Mo, Mn) e agentes redutores (ascorbato).

Com relação à destruição por oxigênio, devemos lembrar que no alimento ela está protegida, pois se encontra ligada aos nutrientes.

As fontes de vitamina B12 (em mcg) nos alimentos (em 100 g):
Alimento Teor de B12 (em mcg)
Queijo mussarela 0,73 a 2,31
Queijo prato 1,50
Ricota 0,29 a 0,34
Ovo mexido (de galinha) 0,77
Leite de vaca semi-desnatado 0,46
Carne de frango sem gordura 0,40
Músculo bovino 3,16
Fígado bovino 70,58
Presunto magro 0,75
Bacon 0,00

Alguns alimentos no mercado brasileiro já são fortificados com essa vitamina.

Já ouviu falar sobre os análogos da Vitamina B12 ?
Existem algumas substâncias ingeridas muito parecidas com a vitamina B12, mas que não têm a mesma função dela. São os chamados análogos da vitamina B12.

Os análogos da B12 podem ser produzidos por técnicas de preservação de alimentos, pelo cozimento, pela microflora intestinal (as bactérias intestinais) e por algumas bactérias presentes em alimentos ou algas.

Esses análogos podem interferir com a absorção da B12 verdadeira (atrapalha a sua ligação com uma substância chamada Fator Intrínseco) ou apresentar efeitos tóxicos se absorvidos.

Alimentos não confiáveis como fonte de B12
Alimentos como algas marinhas e espirulina podem conter análogos da B12.

As algas, por um processo simbiótico com bactérias podem incorporar a B12 produzida pelas bactérias. As mais ricas são as Chlorella e Nori, mas os estudos sugerem que a B12 que elas contêm são inativas no nosso organismo. Além disso, podem alterar o exame de sangue (dosagem da B12), fazendo com que ela pareça mais elevada do que de fato é.

Nem as algas e nem os produtos fermentados de soja (missô, temphê, shoyu) podem ser considerados fontes confiáveis de B12.

O METABOLISMO DA VITAMINA B12

Para compreender melhor a cobalamina precisamos entender o seu metabolismo. Vamos lá!

Sempre que vamos estudar bioquímica ou fisiologia precisamos primeiro conhecer as regras do assunto. Eis as regras:

1- Só para relembrar a anatomia, a ordem dos compartimentos na digestão é (em negrito estão os pontos principais para entender a vitamina B12):
-    boca (tem enzimas digestivas e pH alcalino)
-    esôfago (serve apenas como passagem para o alimento). Mede 25 cm.
-    estômago (armazena e digere os alimentos, principalmente protéicos. Tem pH ácido). Mede 25 cm. Produz uma substância chamada fator intrínseco (guarde bem essa informação sobre o fator intrínseco. Ela será necessária para a leitura do resto do texto !!!)
-    Intestino delgado. É dividido em 3 porções:
a)    duodeno (tem cerca de 25 cm, recebe as secreções digestivas do pâncreas e da vesícula biliar e alcaliniza o conteúdo gástrico proveniente do estômago)
b)    Jejuno – mede 2 a 3 metros – função de absorção, principalmente.
c)    Íleo – mede 3 a 4 metros – função de absorção, principalmente.
-    Intestino grosso (Tem cerca de 1,5 m, alta concentração de bactérias e função de absorção de líquidos e outras substâncias)
2- quando ingerimos um alimento com B12 precisamos torná-la disponível. Aí entra o processo digestivo. Não existe B12 livre nos alimentos. É necessário haver ácido no estômago para que a B12 seja retirada dos alimentos.
3- É absolutamente necessário haver a produção de uma substância chamada Fator intrínseco. Quem produz o fator intrínseco é o estômago.
4- A vitamina B12 não consegue ser absorvida sozinha. Para ser absorvida ela precisa estar ligada ao Fator intrínseco. Portanto: se não há Fator intrínseco não há absorção de B12.
5- O Fator intrínseco só consegue se ligar à B12 em pH alcalino.
6- A absorção da B12 (ligada ao Fator intrínseco) ocorre no íleo terminal.

Vamos ver então como tudo ocorre.
Escreverei FI no lugar de Fator intrínseco.

Ao ingerirmos um alimento com B12, precisamos deixar essa B12 disponível para ser ligada ao FI.

Começa a digestão. O estômago é o principal órgão responsável pela liberação da B12 do alimento, através das suas enzimas, em pH ácido.

Ok: B12 liberada do alimento no estômago. Vamos unir o FI com a B12. Essa ligação ocorre no intestino (pH alcalino).

Agora temos a vitamina B12 ligada com o FI.

No final do intestino (nos últimos 60 cm do íleo terminal) esse complexo (FI + B12) é absorvido.

Essa absorção também depende de cálcio, pH alcalino (maior que 6) e componentes da bile (composto liberado pela vesícula biliar).

Pontos importantes
1- Quem tem estômago menos ácido, inclusive provocado pelo uso de anti-ácidos, tem risco maior de deficiência de B12.
2- Algumas pessoas têm problemas em produzir o Fator Intrínseco. Isso faz com que tenham dificuldade de absorver a B12, independente de consumirem boas fontes. A anemia decorrente dessa falha recebe um nome específico: anemia perniciosa.
3- Há um limite de absorção para a quantidade de B12 ingerida em uma única refeição.

A explicação se deve ao fato de que os transportadores do FI + B12 ficam cheios (saturados) e não conseguem absorver mais do que a oferta.

Podemos absorver em uma única refeição  1 a 1, 5 mcg de B12. 

A capacidade de absorção volta ao normal após 4 a 6 h da primeira dose.
Assim, podemos absorver de 1 a 1,5 mcg a cada 4 a 6 horas.
Portanto, se forem feitas 3 refeições com boa quantidade de B12 podemos absorver 4,5 mcg por dia.
4- A maior concentração de bactérias intestinais está presente no intestino grosso, que é posterior ao local de absorção (intestino delgado final, ou íleo terminal). Temos uma válvula que impede que o conteúdo do intestino grosso volte ao delgado. Se essa válvula está incompetente, o retorno do conteúdo fecal piora a absorção da B12 no intestino delgado.

O que ocorre depois que a vitamina B12 é absorvida ?
Ela é transportada para diversas células. Ocorrem diversas reações complexas.

Dessas reações, o que é interessante saber é que quando há pouca vitamina B12 o nível sanguíneo de 2 compostos ficam elevados:  o Ácido Metilmalônico e a Homocisteína.

Por que saber isso ?
Porque podemos dosar essas substâncias no sangue. Se encontrarmos os seus valores elevados é possível que haja falta de B12.
No entanto, essa dosagem é completamente dispensável para a avaliação da B12.

O ARMAZENAMENTO E O CONSUMO DA B12

Quanto um adulto pode armazenar de Vitamina B12 ?
Cerca de 3 a 5 mg.

Aproximadamente 50 a 90 % está no fígado.

Se o estômago for completamente retirado (gastrectomia total) ocorrerá falta do FI. Quanto tempo irá demorar para surgir anemia por deficiência de B12 ?
O tempo depende do estoque de B12 que a pessoa tem antes da cirurgia.

Alguns autores demonstraram que isso geralmente demora de 4 a 7 anos quando os estoques estão cheios.

Por que demora esse tempo todo ?
O que ocorre é que o organismo tem meios de reaproveitar a vitamina.

O nosso próprio organismo elimina uma pequena quantidade de B12. Ela é lançada no intestino pela vesícula biliar e sai pelas fezes.

Ao invés de eliminá-la pelas fezes o nosso organismo consegue colocá-la de volta no organismo. Esse ciclo é chamado de ciclo êntero-hepático (ciclo que leva a vitamina do êntero (intestino) para o hepático (fígado).

Esse ciclo reaproveita 1 mcg/dia de B12, o que corresponde a 10 a 60% da vitamina que é excretada por essa via.

Somando os fatos:
Estoque de B12 3 a 5 mg (3.000 a 5.000 mcg)
Reaproveitamento 1 mcg/d  (ciclo êntero-hepático)

Se não ingerirmos nada de B12 (ou não tivermos mais o FI) os nossos estoques serão suficientes para 2500 dias (6,8 anos) ou mais.
Mas atenção!! Jamais confie nesse cálculo!! Ele é apenas para divertir quem estuda fisiologia, pois como as variações individuais são muito grandes, não encontramos isso na prática.
Encontramos inclusive pessoas com elevada ingestão de B12 com deficiência.

Quem ingere muita B12 também pode ter deficiência!?
Parece estranho, mas é verdade.
A B12 tem uma capacidade limitada de ser absorvida, mas um potencial muito elevado de ser utilizada pelo corpo em situações distintas.
Pessoas com atividade intelectual ou mental excessiva tendem a consumir mais B12.
Além disso, nossa vesícula biliar pode lançar até 10 mcg de B12 ao intestino diariamente. Se o potencial de absorção do nosso organismo não for bom, perderemos quase a totalidade dela. Lembre-se de que, uma dieta onívora pode não alcançar essa quantidade de B12. E mesmo que alcance, não é adequado que a pessoa consuma todas as fontes de uma só vez, pois conseguimos absorver até 1,5 mcg a cada 4 ou 6 horas.
Assim, na melhora das possibilidades (absorvendo 1,5 mcg a cada 4 horas), o máximo de absorção pelo alimento será 9 mcg por dia.
Isso quer dizer que a pessoa pode ficar com um balanço negativo, mesmo comendo adequadamente.

A DEFICIÊNCIA DE VITAMINA B12

Os sinais e sintomas da deficiência de B12
Os sintomas neurológicos são os predominantes na falta de B12. Raramente encontramos anemia por deficiência de B12.
Na deficiência de B12 a célula vermelha (blasto) fica grande (mega), e por isso chamamos a anemia (quando ela ocorre) de megaloblástica.
Os sintomas mais comuns que encontro em consultório são ligados à redução da atividade cognitiva (concentração, memória e atenção), com desconforto para as atividades intelectuais, levando à dispersão, queixa de memória, além de formigamento nas pernas após pouco tempo com elas cruzadas.
Esses sintomas regridem após uso da B12.

Outras associações que ocorrem na deficiência: ateroma (acúmulo de placas de gordura nos vasos sanguíneos), defeito de formação do tubo neural (alteração que faz com que crianças nasçam com sérias alterações na coluna vertebral e paralisia das pernas irreversível), esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado).
Em estágios mais avançados, a pessoa pode ter sintomas psiquiátricos (depressão, transtorno obscessivo-compulsivo, manias) e pode até entrar em coma.

Como pode ocorrer a deficiência por B12 ?
Existem algumas formas de ocorrer deficiência de B12. Vejamos as mais comuns :

1) Por deficiência alimentar
Isso só pode ocorrer se não houver ingestão de alimentos de origem animal (carnes, ovos e lácteos); portanto nos veganos.

2) Distúrbios da absorção de B12
a)    Má absorção da cobalamina alimentar
Ocorre em pessoas com pouca secreção de ácido no estômago (lembre-se de que a B12 precisa ser separada do alimento e isso ocorre principalmente no estômago, em meio ao pH ácido).
Essa situação é mais comum em idosos (podem apresentar hipocloridria – pouco ácido no estômago). Pode ocorrer também em pacientes que tiveram o estômago retirado em cirurgias (tumores, por exemplo).
b)    Insuficiência pancreática
Alteração da secreção do pâncreas e dificulta a ligação da B12 com o FI.
Esse tipo de alteração pode ser decorrente do alcoolismo.
c)    Alteração no funcionamento do FI (Fator Intrínseco)
Alguns indivíduos podem ter alterações no sistema imunológico fazendo com que as suas células de defesa destruam outras células benéficas do próprio organismo. Isso se chama alteração auto-imune com produção de auto-anticorpos.
Isso pode ocorrer com o FI. O organismo cria anticorpos que destroem ou atrapalham a absorção do FI.
Sem FI disponível não conseguimos absorver a B12.
Esse tipo de anemia se chama anemia perniciosa.
d)    Infestação de bactérias no intestino delgado
A contaminação de bactérias do intestino grosso no intestino delgado chama-se “Síndrome do intestino delgado contaminado”.
As bactérias intrusas competem com o nosso organismo para consumir a B12 que chega ao final do intestino delgado (lembre-se que a absorção do FI+B12 ocorre nos 60 cm finais do intestino delgado).
Esse tipo de complicação pode ocorrer em pessoas com divertículos (com estagnação), passagem anormal do cólon para o delgado (fístulas) ou estreitamentos intestinais (doenças inflamatórias intestinais).
**OBS – o intestino grosso tem 10.000 vezes mais bactérias do que qualquer outra região do trato gastrointestinal.
e)    Ressecção intestinal
Pacientes que realizaram cirurgias e não têm mais o final do intestino delgado e podem desenvolver deficiência.    
f) Doenças que cursam com má absorção alimentar
Aqui são incluídas diversas condições ou doenças que podem causar má absorção (não apenas de B12). Exemplos: sensibilidade ao glúten, lesão por radiação (radioterapia para pacientes com câncer em região abdominal).
g) Interação medicamentosa
Inúmeros medicamentos podem dificultar a absorção da B12.

3) Por perda ou excesso de consumo do organismo
Na prática, observo ser o motivo mais frequente.
Podemos perder pelas vias biliares (que lançam a B12 do sangue ao intestino).
Podemos consumir demais pela demanda intelectural.

O DIAGNÓSTICO DA DEFICIÊNCIA DE B12

Como saber se estou com deficiência de B12 ?

Fique atento aos sinais e sintomas da deficiência vitamínica.

Porém isso apenas não é suficiente.

O diagnóstico de deficiência de B12 não pode ser feito baseado apenas nos sinais e sintomas de um indivíduo.

A constatação por exames laboratoriais é muito importante.

Muitos estudos demonstraram que cerca da metade dos indivíduos que têm a vitamina B12 em níveis baixos no sangue não apresentam sintomas consideráveis. Eu percebo que eles têm sintomas, mas nem imaginam que é por falta de B12.
O acompanhamento médico é fundamental.

Quais são os exames laboratoriais que podemos utilizar ?
Alguns exames podem auxiliar no diagnóstico.
Na prática, basta a B12.

Hemograma: pode demonstrar a anemia (hemoglobina e hematócrito reduzidos) e o tamanho da célula (a parte do hemograma que mostra o tamanho é o VCM – volume corpuscular médio).
Se a anemia se torna mais grave ocorre diminuição das células de defesa (neutropenia) e das plaquetas (trombocitopenia).

Atenção :
Pessoas com baixa concentração de B12 no sangue podem mostrar células de tamanho normal. Portanto: hemograma normal não significa B12 normal no sangue !!

Lembra daquele estudo comentado anteriormente da Índia com 15.000 pessoas, quase todas vegetarianas, que demonstrou que 54 % tinham baixas concentrações sanguíneas de B12? Esse estudo demonstrou que apenas 10 pacientes por ano eram vistos no hospital local com anemia megaloblástica.

Reticulócitos:
são as células vermelhas jovens. Na deficiência de B12 os seus níveis sanguíneos ficam reduzidos (para o grau da anemia). Esse exame pode ser influenciado por outros nutrientes e condições clinicas.

Dosagem de B12 no sangue: é o método padrão para diagnosticar deficiência de B12 (definida quando o valor está abaixo de 150 ou 200 pg/ml, dependendo do método de dosagem utilizado). No entanto já foi observado deficiência em pessoas com níveis normais de B12 no exame (350 pg/ml).
Vitamina B12 abaixo de 490 pg/ml (quando a referência vai de cerca de 200 a 900 pg/mL) deve ser corrigida!

Ácido Metilmalônico: Na deficiência de B12 ocorre aumento do ácido metilmalônico (esse aumento não ocorre na deficiência de ácido fólico). Esse aumento pode ser detectado no sangue e na urina.
Esse exame é caro e, na prática clínica, dispensável. É usado mais para pesquisas clínicas.

Homocisteína: se eleva na deficiência de B12 (e também na de B9 e B6). Algumas doenças como hipotireoidismo e doença de Down podem alterar o nível desse composto, assim como diversos medicamentos. A avaliação da homocisteína exige muitos cuidados. Esse exame pode ser dispensado para a avaliação da B12.

Holotrascobalamina II: é a proteína que transporta a B12 no sangue. Não costuma ser feito no Brasil. Como você pode imaginar, é extremamente caro.

Dosagem sanguínea de anticorpo anticélula parietal e de anticorpo bloqueador do fator intrínseco: serve para diagnosticar a anemia perniciosa. O anticorpo bloqueador do FI é mais específico.

Dosagem de folato (vitamina B9) no sangue: pode ser usado na dúvida da etiologia da anemia (B 12 ou B9). A dieta vegetariana é rica em vitamina B9 (ácido fólico). Isso pode mascarar a deficiência de B12, que muitas vezes só é diagnosticada quando surgem alterações no sistema nervoso. A deficiência de B9 causa manifestações muito parecidas com as da deficiência de B12, exceto pela neuropatia.

Atenção !! Todo exame laboratorial deve ser corretamente interpretado pelo seu médico!

TRATANDO A DEFICIÊNCIA DE B12
Para elevar os níveis de B12 no organismo e assim tratar a deficiência há algumas possibilidades:

1-   Via injetável
Eu já utilizei muito essa forma de correção e raramente utilizo atualmente, pois a via oral (desde que em dose adequada e por período adequado), é muito mais eficiente e fisiológica para essa correção.  Eu não sugiro mais essa forma de correção. Costumo deixar a via injetável para quadros de emergência neurológica por privação de B12.
Essa forma de tratamento (via injetável) é a mais antiga e mais conhecida pelos médicos. Sendo assim, é a mais utilizada e divulgada.
 

2- Via oral
A via oral também pode ser utilizada para tratar a deficiência, desde que o seu médico saiba prescrever a quantidade e freqüência necessária para tratá-la.
Essa forma de correção pode ser muito segura, mesmo para quem não tem estômago. Mas atenção! A dose a ser utilizada é o que determina a segurança dessa forma de uso.
É a forma que tenho recomendado.

Quando menos de 5 mcg de B12 cristalina é ingerida de uma só vez, cerca de 60% é absorvida.
Quando se usa uma dose de 5000 mcg, cerca de 1% é absorvida.

Não há relato de toxicidade pelo uso excessivo de B12.

A resposta após o tratamento com B12.
A via injetável traz efeitos muito rápidos de bem estar em quem tem deficiência de B12, mas pode trazer alterações em alguns minerais no organismo, com efeitos finais nocivos ao organismo.
A B12 injetável leva ao aumento rápido da B12 sanguínea, mas tende a ocorrer redução rápida também.

A via oral (em dose adequada e por tempo adequado) apresenta resultados excelentes e duradouros no tratamento da deficiência. É a forma que tenho feito há alguns anos com resultados excelentes.

A manutenção da vitamina B12

Nesse momento vamos entender que os seus níveis de B12 estão adequados, e pretendemos mantê-los adequados.

1- Com o uso da B12 diária, por via oral
A dose preconizada para isso é de 5 mcg de B12 por comprimido, no mínimo. Alguns suplementos no mercado apresentam doses maiores do que essa, como 10 ou 15 mcg. Não há problema em utilizá-los.
Na minha experiência profissional, verifico que essa dose é insuficiente para manter os níveis adequados. São pouquíssimas pessoas que conseguem fazer uma manutenção com doses tão baixas.

2- Com o uso da B12 semanal, por via oral
A dose de manutenção preconizada para ser tomada 1 vez por semana é de 2.000 mcg.
No entanto, na minha prática profissional, também observo que essa dose não é adequada. A dose para uso semanal, além de individual, para ser eficiente, deve ser bem maior que essa.

3- Com o uso da forma injetável
Para isso pode ser utilizada uma aplicação de B12 com cerca de 5.000 UI a cada 6 meses ou um ano.
Essa é a recomendação médica que existe na literatura e que eu mesmo prescrevi por algum tempo. No entanto, atualmente raramente prescrevo dessa forma, pois tenho visto que a via oral é muito mais eficiente.
Sugiro não confiar na aplicação semestral da B12 intramuscular.

4- Com a alimentação
Muito cuidado aqui!! Os alimentos que contém B12 ativa são as carnes, queijos, leite e ovos, além dos alimentos enriquecidos.
A ingestão de B12 por meio de derivados animais precisa ser constante e em quantidade adequada. Apenas para termos uma idéia, a quantidade de leite necessária para conseguirmos uma quantidade diária mínima de B12 seria de cerca de 650 mL por dia.

Se eu consumir mais alimentos integrais e melhorar minha flora intestinal, vou melhorar a absorção de B12?
O uso de alimentos integrais melhora a flora intestinal. Isso pode até ocasionar uma maior produção de B12, mas ela não será absorvida de forma eficiente.

Pelos inúmeros motivos descritos anteriormente nem a sua flora e nem qualquer alimento de origem vegetal (nem algas e nem fermentados !!!) são capazes de suprir adequadamente a vitamina B12.


Dr. Eric Slywitch é médico especialista em nutrologia, nutrição enteral e parenteral.
Especialista em nutrição vegetariana. Autor dos livros: “Alimentação Sem Carne - Guia Prático” e “Virei Vegetariano. E Agora?”. Coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira. Pós-graduado em nutrição clínica (GANEP) e Mestre em nutrição (UNIFESP/EPM). CRM 105.231